27. Assisti a “Cinzas do Passado Redux”… e talvez precisasse assistir mais uma vez.
Segunda-feira agora é meu dia de pegar um cineminha no HSBC Belas Artes pagando meia. Decidi pelo Cinzas do Passado Redux, filme de sinopse misteriosa que acabou me convencendo a sair de casa apesar do tempo horrível, porém calculei mal a hora e acabei chegando lá sem tempo nem de comprar um refrigerante. Subi a longa escadaria da sala Villa-Lobos em uma rapidez incomum e com os bofes pra fora, entrei na sala de exibição… que já estava com as luzes totalmente apagadas. Eu ODEIO quando isso acontece e acabei sentando na primeira fileira que vi, uma ou duas atrás do gargarejo.
A minha idéia era mudar de lugar assim que a vista se acostumasse com a escuridão, porém o lugar pareceu surpreendentemente bom. Na hora em que fui encostar, a surpresa: a cadeira se reclinou, E MUITO, bem mais que as poltronas do Cinemark. Tomei um baita susto e pulei pra poltrona ao lado, que reclinou mais ainda. Percebi então que isso se tratava de uma comodidade a quem se sentasse nesse local costumeiramente indesejado e gostei da idéia, por 5 minutos. Porque foi esse o tempo que levei para notar que eu não poderia me mover livremente sem que o lado esquerdo do meu assento emitisse um rangido assombroso. Relaxei o corpo e aproveitei o filme.
O “Redux” do título diz respeito a tratar-se de uma montagem definitiva do “Cinzas do Passado” da década de 90, o qual possuía diversas versões pirateadas na cara dura em tempos pré-popularidade na internet. O diretor Kar Wai Wong decidiu então tomar as rédeas da obra e em 2008 relançou esse wuxia (filme de espadachins) que apesar de belíssimo, nem a todos convence.
E não é para menos. Para os colonizados aqui acostumados com o jeito norte-americano de contar histórias, “Cinzas do Passado” pode ser tido como um filme lento e de história difícil. Isso ainda hoje, tempo posterior a “Tigre e o Dragão”, fico imaginando qual deve ter sido a acolhida nesse lado do globo na época de sua estréia. Aliás, não preciso imaginar, o Google e uma série de sites já me contaram: muita gente não chegava a terminar o filme, saindo antes do final da projeção. Inclusive, lamentavelmente presenciei essa cena se repetindo.
A falta de paciência das pessoas se explica pela forma não convencional (para nós) da narrativa, com as coisas sendo reveladas em tempo próprio, o que se mostra perfeitamente adequado ao enredo, que se divide através das estações do ano. Tentando não estragar a diversão de quem pretende conferir a obra com seus próprios olhos, a história não chega a ser extraordinária: homem abre mão de seu grande amor, deixando a cidade onde vivia para construir sua glória como um grande guerreiro. Ao retornar à terra natal, descobre que a mulher inteligentemente não ficou ali plantada esperando pelo fofo e casou-se com o irmão dele. Inconformado, passa a morar no deserto intermediando a contratação de caçadores de recompensas – as pessoas o procuram e ele contata os espadachins para executar certos assassinatos. Recebe todos os anos a visita de um conhecido, Huang Yaoshi (outro deleite para os olhos em um filme especialmente bem fotografado) que naquela primavera em especial traz consigo uma garrafa de vinho com o poder mágico de fazer as pessoas esquecerem do próprio passado. O amigo bebe do líquido, ele ainda não e as consequências e porquês disso a gente só vai compreender no quarto final da obra. A memória, o lembrar e o esquecer são partes fundamentais dessa “tragédia romântica”, contada a passos lentos e adornada com música competente, imagens de cores supersaturadas e lutas verdadeiramente épicas, algo que ao ocidente ainda não era muito comum nos idos de 94 e daí os reviews de incompreensão. Hoje em dia, o filme é considerado um clássico.
+Imagens:
1.Trailer do site UOL Mais
2. Site oficial
4. Salas onde o filme está sendo exibido, em São Paulo.
Por enquanto é só, bjosnãomeesqueçam.








05/05/2009 às 12:56 pm |
que inveja (da boa) de vocês. saca a programaçao de cinema aqui de Natal: http://www.cinemark.com.br/horarios/?cidade=22&cine1=681&filme1=&x=12&y=6
nunca mais reclame de rangido ou de uma escadaria eheheheh.
abraços adorei o blog. vou favoritar.
08/05/2009 às 3:17 pm |
O rangido, foi só eu ficar quietinha que tudo bem, arrumei uma posição confortável logo e aproveitei o filme sem problemas. Agora aquela escadaria… sacanagem com os ex-fumantes. Pior que DEPOIS eu descobri que tinha elevador, ai que ódio. Obrigada pela visita!
05/05/2009 às 4:12 pm |
Muito bom! E as imagens, sao de encher os olhos!
Obrigada pela visitinha lá no blog. Bjs
06/05/2009 às 9:14 am |
Do Wong Kar Wai eu assisti “Amor à flor da pele” e “2046″, que são simplesmente espetaculares. Vou chamar a patroa para ver esse filme. Ela vai gostar, com certeza.
Agora, como se trata de filmes de samurai, fico com um pé atrás. Assisti a alguns e me incomodei com aquela história de nego voando. Se tiver isso de novo, vou ficar bem puto.
Ah, também tenho ido aos cinemas às segundas, quando possível. No Espaço Unibanco, às quintas, tem uns preços bons, também. E, claro, sempre entro no cinema com a sala às escuras. Uma bosta.
08/05/2009 às 3:06 pm |
Tem nego voando. Pouco, mas tem.
O Espaço Unibanco eu ainda não conheço… sou cliente, será que tem desconto??? (pobre é foda)
08/05/2009 às 11:30 pm |
Posso comentar uma coisa bem imbecil?
Eu me sinto burra vendo filmes espadachins =/ porque sempre fica algum lance no ar (alem deles lutando) que eu não entendo. Eles são psicologicamente complexos…
As lutas não me convencem, os finais são trágicos, mas eu há pouco tempo assisti uma série chinesa exatamente no clima desse filme. Chorei rios, mas era a coisa mais linda!!! Principalmente pq eu sou fã de um atores que fez, Wang Chuan Yi *___*
http://pic.cnmdb.com/ent/2007/04/30/021131_1017101_897.jpg
beeijo!
:**
10/05/2009 às 3:08 pm |
Muito bonitinho o moço da foto! *suspiros*
Mas não se sinta burra vendo esses filmes, porque muita coisa que a gente fica com cara de HÃ é erro grosseiro de tradução.