36. Esse final de semana tirei pra ver filmes ruins no cinema, e de propósito. O Cine Olido fez um repeteco da Maratona dos Mortos-Vivos que aconteceu durante a Virada Cultural paulistana e consegui assistir a dois, embora os melhores filmes tenham passado na sexta-feira e eu vacilei grandão em não ter ido.
No sábado, dia 16 eu e o benhê – muito contra a vontade dele – assistimos a “A Volta dos Mortos-Vivos parte 3” (Return of the Living Dead 3 – 1993), filminho bobo estilo Sessão da Tarde que só assisti inteiro uma vez, na casa de um velho amigo que é maluco por filmes trash. Querem uma sinopse? Ok, vocês pediram: o filho estúpido de um militar de alta patente e sua namoradinha imbecil furtam o cartão de acesso do pai, invadindo a instalação do exército onde pequisas com armas biológicas estavam em andamento e viram muito mais do que desejavam ver, no caso, a exposição de um cadáver não muito fresco ao famigerado 2-4-5-Trioxin e as devidas consequências. Saem de lá às pressas e vão para a casa do rapaz fazer aquele amorzinho básico. Súbito, o pai do rapaz chega e pede para conversar com ele, a respeito de se transferirem pela enésima vez para outra cidade; o garotão faz bico e disse que não vai embora coisa alguma, pega sua moto, põe a gata na garupa e saem a esmo por aí. A garota resolve estimular o jorge do guri enquanto eles estava guiando e claro que isso não ia acabar bem: ele derrapa, a infeliz bate a cabeça e morre. O que o gênio máximo, ápice da civilização norte-americana faz? Resolve ressuscitar a garota, usando o mesmo gás infame. Não é um amor de menino?
Já avisei ao meu marido: se um dia eu morrer, não tente me ressuscitar usando gás verde, fazendo pacto com o demônio, girando a Terra ao contrário ou enterrando meu corpinho secksy em um cemitério de animais, essas coisas nunca dão certo.
Links:
1. IMDB
2. Página na Wikipedia (em inglês)
3. Trailer #1 – how do you kill something that is already dead?
4. Trailer #2
5. Review muito bom e umas coisinhas a mais do site Boca do Inferno.
***
No domingo, dia 17 não consegui convencer o benhê a me acompanhar e fui sozinha assistir “Zombie 2 – A volta dos Mortos-Vivos” (Zombi, 1979, filme de Lucio Fulci).
Sinopse? Desnecessária. Zumbi encontra pessoas, pessoas viram zumbis, moça indefesa e homem metido a galã se metem onde não deviam e todo mundo se estrepa de um jeito ou de outro graças a idiotice das próprias ações que desafiam o senso comum, the end.
Sobre a insuperável cena da luta Zumbi vs. Tubarão:
Vocês leram direito, em certa altura do filme uma moça de topless (nudez gratuita? Não, imagina) resolve fazer fotos submarinas e dá de cara com um tubarão-tigre, dos grandes. Ela tenta inutilmente se esconder em umas rochas e SURPRESA! Eis que surge um zumbi safado tentando agarrar de um jeito meio estranho a coitadinha, que se desvencilha, restando finalmente a épica luta do morto-vivo contra a máquina de matar.
Detalhe: o tubarão era de verdade, esqueça o boneco animatrônico que não funcionva direito do Spielberg. O ator escalado para fazer a cena amarelou na hora adoeceu e quem cumpriu o dever foi o treinador do bicho, devidamente caracterizado. Eu disse “treinador de tubarão”? Incrível, tem maluco pra tudo nesse mundo. Isso explica por que o animal estava com cara de bobo enquanto o carne podre o agarrava pelas barbatanas (CHAMEM O PETA!), apesar da espécie em agressividade só perder para o tubarão-branco. Definitivamente a coisa mais surreal que eu já assisti na minha vida em um filme ruim. Assistam também, clicando aqui.
A pergunta que não cala: porque ninguém faz um filme com tubarões-zumbis? Ou será que já fizeram? Se sim, avisem-me por favor.
Links:
1. IMDB.
2. A infame luta Zumbi vs Tubarão. Eu já falei que tem um zumbi saindo no braço com um tubarão no filme?
3. Página da Wikipedia sobre Zombi (em inglês).
4. Trailer
5. Outro review totalmente excelente do “Boca do Inferno“.
***
Momento “Eu adoro o centro de São Paulo, mas muitas vezes odeio também”: o tarado do Olido.
Estava eu lá assistindo meu filminho sossegadamente quando um homem acomoda-se a um assento de distância do meu lado direito (eu – assento vago – verme). Achei estranho porque afinal de contas o lugar estava meio vazio, umas 20 pessoas no máximo e pensei em mudar de cadeira, mas resolvi ficar ali mesmo, vai que era outra pessoa que também gostava de se sentar na frente – devia ter mudado…
Reparei que ele ficava mexendo uma das mãos mas não dei bola, já que eu tava prestando atenção no filme e não no cara. Em dado momento fui ajeitar o cadarço do meu tênis e aí eu vi bem claramente o que estava acontecendo… cidadão estava nada mais, nada menos que alisando seu jorginho em público… mereço uma coisa dessas. Fiquei com tanto nojo que levantei e fui caçar um segurança enquanto telefonava pro meu marido, o verme talvez ficou com medo e saiu apressado do cinema - e eu não achei nenhum segurança, diga-se de passagem. Como ele foi embora, voltei e terminei de ver o filme.
Esse tipo de coisa eu já vi acontecer até em cinema de shopping, com a diferença que a pessoa foi devidamente posta pra fora da sessão.
Benhê super macho alfa defensor das queridas inocentes e indefesas veio ao meu pedido me buscar porque obviamente fiquei receosa do crápula estar me esperando (o cara era enorme e de maluco se espera tudo, fora que ele me viu saindo de telefone na mão). Voltei para casa sã e salva com o guardião da minha honra… p da vida com tanta falta de respeito. O que me revolta é que aqui no centro tem cinema pornô de um real também. Vai lá pô, quem sabe o fulano até não se arranja com alguém… agora PRA CIMA DE MOI? Negativo. Eu ainda acredito no romance! E na Lorena também.
Tenho certeza que isso e muitas outras coisas – lembrando que estamos falando do centro da cidade – poderiam ser coibidas de uma forma nada onerosa: que um segurança com poderes para tirar os impertinentes fizesse a “ronda” na imensa sala de exibição periodicamente, estivesse ela cheia ou com meia-dúzia de gatos pingados. Muito difícil fazer isso, será? Ou que pelo menos alguém ficasse próximo à entrada, coisa que não aconteceu – e sim eu procurei bastante. Mandei essa sugestão para o email galeriaolido@prefeitura.sp.gov.br e amanhã, telefono. Infelizmente, cogitei em dar por encerrada minha cota de Olido, a menos que eu fosse com alguém. R-I-D-Í-C-U-L-O. É como se tivessem tentado tirar o meu direito de ser mulher e de andar sozinha.
Links:
1. Mais alguém que teve a infeliz experiência de ver o que não queria no cinema.
2. Outra mulher com o mesmo problema, só que ela teve mais sorte que eu.
2. Texto atribuído a João Ubaldo Ribeiro sobre os tarados do cinema. Digo “atribuído” porque na internet tudo é de alguém até que se prove o contrário.
Bjosnãomeassediem.






18/05/2009 às 3:48 am |
Eu teria feito como o “benhê”. O primeiro, por amor, dá pra encarar, mas realmente, “A volto dos Mortos-Vivos” é demais hahaha.
Quanto a cena do “zumbi safado”, confesso que fiquei curiosa.
Quer gastar um pouquinho mais do seu tempo?
Já conheceu o IMAX, no Bourbon?
Mostrons vs Alienigenas 3D. Assista!
Um homem “bem ensinado” cai bem! hahaha
18/05/2009 às 4:52 am |
Consertei o link da luta!!!
18/05/2009 às 6:02 am |
Ooooooooooh! Morri aqui! hahaha
Que filme trash. hahaha
Adorei o vídeo lá nos comentários, assim eu recomendo com mais facilidade.
Eu acho que esse negócio de dizer que sexo é tabu em algum lugar do planeta, é bem clichê. Chineses… rsrs
Sabe que eu não curto muito esses filmes que a galera assiste, eu gostei do zumbi! hahaha
rs
Ah, com certeza, não perca tempo e vá ao IMAX, é muito show, leve o óculos pra casa!!
18/05/2009 às 11:54 am |
Ahhhhh da próxima vez, me chama!!! hahahaha
18/05/2009 às 3:08 pm |
Hahahahahahhahahahhahahahahahahhaha. Tô até com medo de ver o trailer desse filme!!!!
Lembro que uma vez, saiu um jogo do Mega Drive chamado “Alien vs Predador”, e eu pensei: “Nossa, que idéia de jerico. Só pra videogame, mesmo”.
Anos depois essa joça virou filme e tem até continuação, se não me engano!!!
19/05/2009 às 9:06 am |
O jogo Alien vs. Predador é um clássico! Eu amava!
Já o filme, bom, o primeiro tem seus momentos. Se teve continuação, nem vi.
18/05/2009 às 4:21 pm |
É lamentável o que aconteceu com você no cinema porque esse pervertido devia ser preso e você tinha toda razão em ter medo de voltar para casa sozinha, nós mulheres temos que nos preocupar com uma série de coisas e violência sexual está entre elas e não se sabe o que o safado poderia ter feito. Eu não tenho coragem ainda de ir nos cinemas do centro da cidade.
Uma vez eu estava com a minha irmã assistindo Homem de Ferro no shopping Santa Cruz quando ela me cutucou e disse que o homem ao seu lado estava tentando passar a mão nela, eu não tive dúvida e fiz um escândalo, o lanterninha veio e ele foi tirado da sala. E teve gente que ainda reclamou fazendo xiu, mandando a gente calar a boca eu queria ver se fosse uma irmã, mãe ou namorada desses aí. A sociedade é muito machista mas a gente se defende como pode e as vezes até como não pode também, eu não saio de casa sem meu spray pepper e já evitei assalto com isso pelo menos uma vez, mas segundo consta é proibido, só que assaltar os outros também é proibido e enquanto os bons que obedecem a cartilha assim vai ficando fácil para o ladrão.
Parabéns pelo seu blog ele é muito divertido e você escreve super bem. Eu estava na apresentação do Fumando Espero no Cinebombril.
Fortes abraços da Marly
19/05/2009 às 9:06 am |
“mas segundo consta é proibido, só que assaltar os outros também é proibido e enquanto os bons que obedecem a cartilha assim vai ficando fácil para o ladrão.”
Amei, gostaria de colocar isso em uma camiseta.
18/05/2009 às 4:54 pm |
nossa, eu lembro do primeiro filme do seu post… é muito tosco o negócio, mas na época foi assustador!! huahuahua
18/05/2009 às 5:53 pm |
Lhe faço uma pergunta q eu tinha pensado outro dia e é pertinente ao acontecido desagradável :
Se isso acontecesse com os sexos trocados, muitos (nao arriscaria a “maioria”, mas enfim…) homens nao achariam ruim. Ou achariam “indiferente”, ou até achariam q era algum tipo de convite.
Vc acha q se as mulheres tivessem a mesma “lavagem cerebral sexual” (cough cough, nao dá pra chamar de “educaçao sexual”), esse tipo de coisa causaria o mesmo tipo de indignaçao e nojo?
19/05/2009 às 6:38 am |
K. eu não sei. Mulher na nossa sociedade não foi educada para ser predadora, o que obviamente não impede que tenha quem subverta a ordem imposta das coisas e se comporte tão agressivamente quanto esse infeliz que sentou-se perto de mim. Acho que já te contei a história de uma dentista que praticamente tentou esfregar os peitos na minha cara, dei um mega chega-pra-lá nela e a coisa morreu ali, teve uma vez mil anos atrás que fui ao cinema com uma vizinha e atrás de mim havia uma mulher sentada que começou a esfregar o pé no meu braço; tirei uma lixa de unha de metal da mochila e enfiei com fé na vagabunda, essa deve ter mancado um tempão. Ou seja, gente tosca que invade seu espaço pessoal, que não faz questão de demonstrar visgo de respeito por você tem de qualquer lado.
Mas qual a diferença entre esses dois casos, da dentista e da “tarada do pezinho” e do cara que ficou alisando o jorge do meu lado?
A diferença que é no caso das mulheres eu não tive medo de reagir ali na hora e repelir a agressão com emprego de força física, além do que, houve contato. Já com o cara, ignorando que eu tava no escuro, que ele era um homem e muito grande, muito grande mesmo, a não ser em um caso extremo já não dá tanta coragem assim – e a rigor, não houve contato físico.
E ainda que fosse o Brad Pitt mostrando o Bradinho dele eu tenho certeza que ia ficar puta do mesmo jeito porque a coisa se deu contra a minha vontade, sem a minha anuência, da mesma forma que ninguém é obrigado a ver um casal se comendo e se afogando em saliva bem no assento da sua frente no cinema, por exemplo. A diferença é que o casal se pegando posso até me incomodar e convenientemente esquecer que um dia já estive nessa situação e ao final, acabar achando graça, mas no caso do cara ali apontando o jorge o que eu senti, além do nojo, foi medo. Um puta medo. O comentário que a leitora Marly deixou aqui no blog falou tudo o que eu poderia dizer sobre esse assunto sem fazer de conta que tá tudo bem e que isso não foi nada, como eu acabei fazendo no meu post até pra não ficar guardando ressentimento, mas aqui pra nós, essa merda toda me deixou mal nas horas seguintes.
Então no meu caso pelo menos a coisa vai um pouco além da simples exibição de órgãos genitais de um estranho. Já vi gente fazendo xixi na rua e simplesmente continuei meu caminho, já vi mendigo doidão de alguma coisa sem calça balançado os penduricalhos pra lá e pra cá e eu achei engraçado, canso de ver prostitutas mulheres e travestis com a comissão de frente pegando um sereno da noite e isso não necessariamente me afeta porque nenhuma dessas coisas foi dirigida a mim. Ninguém invadiu o meu perímetro pra fazer essas coisas, ninguém me obrigou a receber um contato físico indesejado e mais, nenhuma dessas pessoas me fez sentir medo.
No fundo, nada do que aconteceu nessas situações que falei teve realmente alguma coisa a ver com sexo.
Cachorro quando quer subjugar, mostrar quem manda, monta em cima dos outros – e nas pernas das visitas também. Com uma certa classe de seres humanos não é diferente.
26/06/2009 às 9:23 pm |
[...] em pegar um cinema baratinho mas lembrei do tarado do Olido e desisti. Pensei em ficar boiando na piscina do Sesc, mas deus me livre aquela mulherada falando [...]