Continue a nadar – Hidroginástica, SESC Consolação

Depois de fazer alguns exames complementares – uma das médicas, pessoa incrédula e muito mal-educada precavida duvidou  que alguém com a minha idade, peso histórico de sedentarismo e ex-fumante pudesse ser completamente saudável, e os exames provaram que sim – e mais uma ou outra praxe burocrática, fui liberada para finalmente começar minhas aulas de hidroginástica. Minha mãe mal pôde acreditar quando contei a ela que acordei seis da manhã para fazer exercícios, aliás acho que ela não deve estar acreditando até agora. Nem eu acreditaria, se me contassem. Pois bem, se é pra ter novos hábitos, nada como botar umas calorias a perder e mesmo tendo dormido pouquíssimo na noite anterior, pulei no primeiro apito do alarme e fui toda serelepe para o SESC Consolação, tão serelepe que acabei chegando cedo demais – os portões só abrem às sete da manhã.

No caminho, A Velha Moi deu como sempre o ar de sua graça e fiquei imaginando um possível constrangimento da minha parte em estar ali, no anti-auge da forma física e em trajes sumários na frente de outras pessoas, mas bastou chegar no vestiário para perceber que meu acanhamento era uma grande besteira. Falei para o meu marido em tom de deboche que hidroginástica deve ser esporte de baranga porque de fato, não vi nenhuma sereia ali, porém uma análise mais cuidadosa e bem menos tacanha revelaria o óbvio: não se trata de ser ou não “sereia” e sim de botar o corpo para mexer e não se matar  – literalmente – com o traseiro no sofá. Nesse intento, mulheres de muitas idades e biotipos riam e conversavam enquanto despudoradamente vestiam seus maiôs ou macaquinhos de ginástica, preparando-se para o “tchibum” matinal. Eu, a suprema envergonhada, já estava com o macaquinho antes de sair de casa justamente para não ter de ficar nua na frente de ninguém, mas pelo visto fui a exceção da regra. Nesse quesito porém, prefiro ficar desse jeito.

A imensa piscina do SESC não é uma estranha para mim, já morei naquela região quando era bem criança e quase matei minha mãe afogada ali mesmo – fato que ela nunca deixa que eu esqueça – e na minha memória infantil, a piscina teria o equivalente a um campo de futebol de tamanho e sabe-se lá quanto de profundidade mas hoje vi que no fim das contas ela é rasa até demais, um metro de vinte apenas. Eu que era uma naninca e mamãe, idem. Mergulhei naquela água quentinha e nessa hora descobri que só existe um jeito melhor de acordar do que esse – mas certas coisas, uma dama não comenta.

A aula foi tranquila, eu mal conseguia ouvir o professor em virtude da música altíssima mas não tive dificuldade alguma em reproduzir os movimentos, só lamentei um pouco a falta de organização das pessoas em não se restringirem a seus espaços pessoais ou ao menos coordenar os movimentos de modo a ninguém ser surpreendido com uma súbita braçada nas costas. Acomodei-me em um bom canto e não levei braçada de ninguém, mas quem estava mais para o meio da piscina deve ter penado um pouco.

Uma hora depois, o feliz momento de tomar banho e SURPRESA! Por falha do aquecimento nos banheiros, só água fria. MUITO fria. Mas muito fria MESMO. Nem me arrisquei, fui tomar banho em casa que água gelada na cabeça e bateção de queixo ninguém merece.

GE-LAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADA!

GE-LAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA-DA!

Fiquei muito feliz de ter criado coragem pra começar a fazer essas aulas. Amanhã estarei lá de novo – hidrobike FTW! – mas dessa vez, rogando por uma boa chuveirada quente.

Bjoscontinuemanadar.

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